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sábado, 20 de fevereiro de 2010

No limbo...


A vontade, contida, incendeia o corpo que anseia por outro.

Não outro qualquer, mas aquele querido, desejado.

Esperar pelo momento enlouquece, atormenta: o encontro de dois mundos tão iguais, mas que se completam em suas sutis diferenças!

A agulha transpassa o tecido, como Penélope a ansiar por Ulisses: tecendo, bordando, desmanchando cada fio e reinventando novos bordados na luta contra os minutos que passam.

Só o beijo cala a boca que diz “Vem!”...

Só o toque aplaca o fogo que queima...

Só o enlace das mãos abranda o suplício da distância...

Só o encaixe dos corpos sacia e completa o encaixe das almas.

E quanto mais se prolonga a espera, mais crescem o desejo – pelo beijo, pelo toque, pelas mãos, pelo encaixe – e os dilemas! Pequenos dilemas que aumentam ao não encontrar segurança nas linhas de um desenho que se faz, se desfaz, se refaz...

É a cruel face da dúvida que acompanha as voltas do relógio e o sorriso inseguro no espelho, refletindo a alma irresoluta.

Entre o sim e o não, o limbo do talvez...

E assim, adormece-se, na aflição de mais uma noite a tecer sonhos, sem saber se eles irão um dia colorir a realidade...



^^

Hélia