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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Perdi alguma coisa...


"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais.
Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável.
Essa terceira perna eu perdi.
E voltei a ser uma pessoa que nunca fui.
Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas.
Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar".
(Clarice Lispector - A Paixão segundo GH)

Recebi por estes dias dois e-mails, contendo o mesmo texto (e-mails enviados pela Mari e pela Michelle). O texto falava sobre o desapego... Hoje li também um comentário do meu amigo Max (que, aliás, eu a-do-roooo!! Gosto do Max demais da conta!! E o blog dele é demais... amo! Especialmente os comentários que ele faz ao final de cada post... Indico o blog dele, visitem mesmo! Tem crítica social e humor com muita inteligência!!)... Ele dizia: "Por que será que é tão dificil esquecer uma pessoa? Deveria ser que nem computador, vc enviava para lixeira e de lá deletava" (oops... espero que ele não brigue, estou citando sem pedir autorização... rsrs)!! O texto dos e-mails e o comentário do Max meio que completam este texto que postei, da (maravilhosa!) Clarice Lispector...

Muitas vezes, nem é que a gente não percebe o que está acontecendo... a gente percebe sim! Percebe que aquela coisa, aquela situação, aquela pessoa já não nos fazem tão bem... Vai ver, nunca fizeram! Ou vai ver, fizeram, mas há tempos não fazem mais... E a gente sabe que precisa tirar da nossa vida aquela coisa, situação ou pessoa... porque só assim poderemos caminhar, dar novo rumo à nossa vida! Mas é que o apego é tão grande! E mesmo quando conseguimos nos afastar um pouco, aquela ausência - tão palpável que dói! - nos assusta e nos deixa meio perdidos...

Porque, realmente, é muito mais fácil ficarmos ancorados no que já conhecemos - embora já não nos faça felizes - do que empurrarmos pra longe esse suporte que nos prende a terra e procurarmos novos caminhos... e, quem sabe, nos encontrarmos, enfim!

^^

Hélia