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domingo, 6 de setembro de 2009

Um pouco mais de mim... mas não tudo!!



Escuta: eu te deixo ser. Deixa-me ser, então. (Clarice Lispector)


Gosto de conversar. Sobre tudo, com todas as pessoas. Quase sempre tenho opinião sobre um assunto. Se não tenho, é porque o desconheço ou ele (o assunto) não me interessa muito. Na primeira hipótese, faço perguntas e fico atenta a quem fala sobre ele. Na segunda, apenas deixo que a pessoa fale, sem procurar aprender. Ao menos ela fica feliz em ser ouvida. E eu gosto de ouvir também. Mas se a pessoa fala besteira demais, mudo de assunto.

Sou atenciosa por natureza. Gosto de dar atenção, me faz bem. Gosto de tratar as pessoas bem e realmente me preocupo com os problemas delas. Não finjo. Às vezes algumas pessoas confundem essa atenção com flerte. Normalmente não é. Mas algumas vezes é, ou foi. A pessoa vai saber se perguntar. Só que ninguém nunca pergunta...

Sou prestativa e gosto de ajudar. Não me controlo, é mais forte que eu. Se não posso ajudar diretamente, procuro alguém que possa. Mas não para receber recompensas ou ganhar elogios. Sou tímida com elogios. E tenho medo de alguns, como por exemplo, “boazinha”. Aliás, nem acho que seja elogio. Mas alguns elogios são muito gostosos de ouvir.

Adoro demonstrações de afeto. Sinto falta quando elas não acontecem, em qualquer relação: namoro, casamento, amizade... Acho que elas estão para os relacionamentos assim como a água está para as plantas.

Faço qualquer coisa pelos meus filhos. Aprendi a extensão verdadeira da palavra “amor” com eles. Depois deles, continuo tendo outros amores, sorrindo ou chorando com eles. Mas não fico mais sofrendo por quem não merece. Tenho outras prioridades.

Isso não acontece só com os homens: eu também penso em sexo durante muitas horas do meu dia. Muitas mesmo. Não em todas, porque em algumas eu estou fazendo, e aí não penso em nada!

Prefiro homens que dizem “estou a fim de ficar com você, mas não é amor ainda, nem prometo que será” aos que já chegam dizendo que me amam profundamente.

Não gosto de novelas nem de filmes muito melosos. Mas sou romântica!

Sou atrapalhada, indecisa, desorganizada com meu tempo, sincera, leal e honesta.

Adoro chocolate e sou viciada em Suflair; viciada em café também; amo vinho no frio, cerveja no calor, suco natural sempre; sopas a noite; queijo e todo tipo de laticínios; música o tempo todo; violão, cantar, escrever, ler, família reunida; minha família toda, que é maravilhosa; computador e celular, as serras de Minas, viajar, dançar, dormir abraçadinha ou segurando as mãos; peito masculino pra recostar; andar de mãos dadas, ser professora; lavar os cabelos e sair com eles molhados; cozinhar, pessoas sorridentes; saber que fiz uma grande economia numa compra; sussurros no meu ouvido; beijo no pescoço, aliás, beijo de todo jeito; abraços; andar descalça; sentar na grama; namorar numa rede; edredons e travesseiros; sinceridade e lealdade; tocar os cabelos da minha mãe e sentir sua maciez e seu perfume; ouvir a risada do meu pai; receber mensagens no celular; receber telefonemas; comentários no blog (rsrs), não ter que digitar caracteres quando vou comentar nos blogs dos amigos; receber atenção no msn; sentir que sou querida e que minha presença é desejada.


E eu? Quem sou eu? Como me classificaram?
Deram-me um número? Sinto-me numerificada
e toda apertada. Mal caibo dentro de mim.
Eu sou um euzinho muito mixa.
Mas com certa classe...
(Clarice Lispector - Pra não esquecer)


^^

Hélia

(Quero dizer aqui que fiquei maravilhada com a atenção de vocês, amigos blogueiros – e quero dizer AMIGOS mesmo! Pois assim se mostraram... A minha postagem relatando a apreensão e preocupação com a saúde dos meus filhos foi a que mais recebeu comentários em menos tempo! E cada comentário mais carinhoso e acolhedeor que o outro! Fiquei profundamente FELIZ com esse carinho e digo que tudo o que tenho vivenciado nessa nova caminhada – como blogueira, há menos de 4 meses – tem superado e muito todas as minhas expectativas!! Vocês são, realmente, muito importantes para mim!! ^^)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Perdi alguma coisa...


"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais.
Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável.
Essa terceira perna eu perdi.
E voltei a ser uma pessoa que nunca fui.
Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas.
Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar".
(Clarice Lispector - A Paixão segundo GH)

Recebi por estes dias dois e-mails, contendo o mesmo texto (e-mails enviados pela Mari e pela Michelle). O texto falava sobre o desapego... Hoje li também um comentário do meu amigo Max (que, aliás, eu a-do-roooo!! Gosto do Max demais da conta!! E o blog dele é demais... amo! Especialmente os comentários que ele faz ao final de cada post... Indico o blog dele, visitem mesmo! Tem crítica social e humor com muita inteligência!!)... Ele dizia: "Por que será que é tão dificil esquecer uma pessoa? Deveria ser que nem computador, vc enviava para lixeira e de lá deletava" (oops... espero que ele não brigue, estou citando sem pedir autorização... rsrs)!! O texto dos e-mails e o comentário do Max meio que completam este texto que postei, da (maravilhosa!) Clarice Lispector...

Muitas vezes, nem é que a gente não percebe o que está acontecendo... a gente percebe sim! Percebe que aquela coisa, aquela situação, aquela pessoa já não nos fazem tão bem... Vai ver, nunca fizeram! Ou vai ver, fizeram, mas há tempos não fazem mais... E a gente sabe que precisa tirar da nossa vida aquela coisa, situação ou pessoa... porque só assim poderemos caminhar, dar novo rumo à nossa vida! Mas é que o apego é tão grande! E mesmo quando conseguimos nos afastar um pouco, aquela ausência - tão palpável que dói! - nos assusta e nos deixa meio perdidos...

Porque, realmente, é muito mais fácil ficarmos ancorados no que já conhecemos - embora já não nos faça felizes - do que empurrarmos pra longe esse suporte que nos prende a terra e procurarmos novos caminhos... e, quem sabe, nos encontrarmos, enfim!

^^

Hélia

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mas às vezes...


Ele disse: não chore que chorar enfraquece.

Eu disse: mas às vezes é como a chuva que se
precisa quando tem estiagem demais e tudo fica
muito seco.

[Do livro: Aprendendo a viver - Clarice Lispector]

^^

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Então eu grito...


Porque há o direito ao grito.
Então eu grito.
Grito puro e sem pedir esmola.

(Clarice Lispector)